Sugestão de Leitura

Apresentamos um livro, que embora antigo, nos leva a conhecer um pouco melhor as perspectivas e desafios de um adolescente com Perturbação do Espectro do Autismo


Todos os dias ouvimos falar de inclusão e insistimos com as nossas crianças e jovens para que reconheçam que todos somos diferentes, mas que temos competências. No entanto, a sociedade ainda não aborda certas temáticas com a facilidade e natureza necessárias para que deixem de parecer "tabus".

Falar do Autismo ainda parece estar associado a uma "carga pesada" e por isso, felizmente têm existido vários autores e até realizadores, que procuram desmistificar e consciencializar a sociedade para a necessidade de compreenderem melhor esta perturbação.


É óbvio que cada personagem retratada tem por base um indíviduo específico e não pode ser generalizada a todas as pessoas deste vasto espetro de diversidade, no entanto, tal como a sociedade médica reconhece, existem défices em áreas comuns do desenvolvimento, que perturbam significativamente o funcionamento destas pessoas, nomeadamente :

A. défices persistentes na comunicação social e na interação social (incluindo a comunicação verbal e não verbal, a partilha de emoções), com maior ou menor intensidade, em diferentes contextos;

B. padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (como sejam, rotinas obsessivas, a hiper ou hipo sensibilidade sensorial, por exemplo).

Assim, e porque acreditamos que este livro pode ajudar-nos a compreender melhor o mundo sob o olhar de um adolescente com autismo, deixamos esta sugestão.



Livro “O Estranho caso do Cão Morto”

De Mark Haddon

ISBN: 9789722367110

Editor: Editorial Presença

Idioma: Português

Páginas: 248


Apresentação da Obra

Este livro, vencedor de 17 prémios literários, e referido pelo The Times como “um dos melhores livro de 2003”, conta a história de um adolescente de 15 anos de idade, Christopher Boone, que possui uma Perturbação do Espetro do Autismo de elevado funcionamento (antigamente diagnosticada por Síndrome de Asperger).


O narrador é o jovem Christopher que, após ter descoberto o cão da sua vizinha assassinado no jardim, começa (por recomendação da sua terapeuta) a escrever e a recolher o máximo de informações possíveis sobre esse acontecimento. Ao começar a investigação e a busca por uma solução para a morte do cão, o jovem vai despertando para novos acontecimentos e circunstâncias da vida e do mundo que o rodeia e mudando a sua visão sobre o mesmo.


Mark Haddon consegue ir apresentando algumas das características da Perturbação do Espetro do Autismo, através das impressões pessoais e das suas características específicas do personagem principal, das suas rotinas, obsessões, comportamentos e da sua linguagem (pouco figurada).

O jovem tem uma obsessão por números primos e contas; necessita que tudo esteja meticulosamente organizado segundo determinada ordem; detesta a cor amarela e castanha (recusando-se, por exemplo, a comer alimentos dessas cores) mas adora a cor vermelha. É muito sensível ao toque e reage de forma agressiva perante o mesmo.


Devido ao sucesso do livro e à importância do conteúdo, o livro já foi adaptado para uma peça de teatro (em 2003), no Brasil, pelo diretor Moayer Góes. O diretor e a produção consideraram essencial sensibilizar a população e aumentar o conhecimento e esclarecimento da comunidade para reduzir o preconceito face ao autismo, pelo que após cada peça eram organizados diferentes workshops ou debates sobre esta temática, com especialistas de várias áreas (clínica, educativa e social).


Curiosamente este livro foi-me apresentado através de uma mãe de um jovem com PEA que já acompanhei. Na altura, fiquei muito sensibilizada e percebi que este livro poderia levar outros leitores a conhecerem um pouco a Perturbação do Espetro do Autismo e a despertarem para esta realidade que envolve toda a nossa comunidade, mas que ainda se mantém muito desconhecida.

A cultura, nomeadamente a leitura, tem o dom de despertar novos olhares e perspetivas sobre diferentes temas, e o autor, assim como o diretor da peça e todo o elenco que a representou, tiveram um importante papel na divulgação e sensibilização da comunidade, indispensáveis à plena inclusão das pessoas com Autismo.
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