Processo de (re)adaptação

Atualizado: Jul 14

No regresso à escola, na gestão de conflitos, na resolução de problemas ,...


Diariamente, desde que nasceram, as crianças passam por processos de adaptação, os quais lhe permitem adquirir novas habilidades motoras, diferentes capacidades cognitivas, competências sócio comportamentais e a compreensão do envolvimento.


Estes constantes desafios são a base para a promoção da capacidade de adquirir novos conhecimentos, pois perante os estímulos a criança compreende de que forma esses se relacionam com as suas anteriores experiências e assimila novas capacidades que lhe permitem evoluir gradualmente.






O Processo de Equilibração


"Na perspectiva da equilibração, deve-se procurar nos desequilíbrios uma das fontes de progresso no desenvolvimento dos conhecimentos, pois só os desequilíbrios obrigam um sujeito a ultrapassar seu estado atual e procurar seja o que for em direções novas."

Jean Piaget, no livro O Desenvolvimento do Pensamento


Sabe-se hoje em dia que essa evolução depende não só de fatores intrínsecos à criança, mas também de fatores extrínsecos (todas as experiências motoras, cognitivas e sociais) às quais é sujeita pelo seu envolvimento.


Assim, mesmo respeitando o ritmo individual de cada criança, os adultos que a rodeiam devem estimulá-la o mais possível para que as diferentes experiências promovam graduais evoluções no seu desenvolvimento.

Tal é ainda mais importante nas crianças prematuras e crianças com alguma perturbação do desenvolvimento, pois mesmo tendo ritmos individuais e, na maioria das vezes, mais lentos, necessitam de estímulos adicionais que vão ao encontro das suas necessidades específicas.


A responsabilidade dos adultos


Enquanto conhecedores dos interesses individuais da criança e das suas maiores dificuldades, cabe-nos a responsabilidade de criar experiências motivantes e enriquecedoras para o seu pleno desenvolvimento, sabendo de antemão que quanto mais experiências responderem a estes objetivos maior a probabilidade de desenvolver novas competências na criança.


Todas as crianças adquirem novos conhecimentos, se as atividades que lhes propusermos responderem às suas necessidades, à sua motivação e se assegurarmos que a criança tem um papel ativo na sua resolução.


Como tal, embora numa primeira fase o adulto tenha de servir como exemplo, demonstrando como se faz, a criança tem de passar pela fase de exploração da ação para adquirir o conhecimento e aplicar e replicar a situações semelhantes.


Capacidade de Generalização


Generalizar implica, pois, estender para o desconhecido a validade de uma experiência vivida ou de um conhecimento obtido numa situação particular. (...) sem a capacidade de generalizar, não poderíamos produzir conhecimentos sobre o mundo nem acumular experiências pessoais que nos orientam em nossas ações e escolhas.

Professor José Sérgio Carvalho , Universidade de São Paulo - Portal TIM


A generalização do conhecimento está intimamente relacionada com a flexibilidade de pensamento, pois caso contrário a criança passaria por experiências e viveria cada dia como se tudo começasse do zero, por não conseguir induzir um modelo de resolução para determinado problema.


Assim, todas as crianças são verdadeiros heróis ao enfrentarem os constantes desafios que o seu envolvimento lhes coloca. As crianças com uma perturbação do desenvolvimento realizam sempre um esforço acrescido face às demais e podem necessitar de mais tempo para superar as suas dificuldades, mas cabe-nos a responsabilidade de os estimular adequadamente e de os ajudar a progredir, respeitando as suas especificidades e o seu ritmo individual.


Assim, todas as crianças são verdadeiros heróis ao enfrentarem os constantes desafios que o seu envolvimento lhes coloca.

No regresso à escola, na aceitação de novas rotinas, na gestão de conflitos, na aquisição de conhecimentos, cada criança é diferente e merece que sejam tidas duas premissas fundamentais na sua educação: AMOR e inevitavelmente o RESPEITO pela sua individualidade.


Se programarmos as atividades de acordo com os interesses e necessidades particulares da criança, naquele preciso momento, permitiremos que assuma um papel ativo e estaremos a contribuir para a sua gradual evolução e desenvolvimento.

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